terça-feira, 27 de maio de 2008

A Poetisa - Cecília Meireles

Minha poetisa madrinha, da época da Academia de Jovens Poetas, quando eu sabia escrever poesia.
Gosto do jeito que ela escreve, da emoção que transmite. Gosto do que ela dizia: "Não sou alegre, nem sou triste, sou poeta."
Segue um poema de que gosto muito:

É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

Um comentário:

Mi disse...

Também gosto um tanto dela e desse poema aí. E de você também

Beijoca bem gorda.